#PraTodosVerem Em primeiro plano, na parte inferior à direita, está escrito, em letras brancas, "Coletivo Feminista Helen Keller de Mulheres com Deficiência". Como plano de fundo está uma foto de Helen, cheirando uma rosa. A imagem está sobreposta com um filtro vermelho.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

7 dicas para deixar seu conteúdo acessível!

Descrição de Imagem: Card roxo claro escrito em letras pretas: 7 dicas para deixar seu conteúdo acessível. No rodapé, os símbolos de acessibilidade de audiodescrição, close caption e Libras. Fim da descrição.


No Brasil algumas das grandes dificuldades para as pessoas com deficiências podem ir além das barreiras arquitetônicas e mobilidade urbana. Aqui, vamos destacar as barreiras atitudinais e de comunicação.

A falta do uso de recursos acessíveis nos ambientes virtuais geram a exclusão do pessoas com deficiência, colocando-as à margem de uma vida com conhecimento de direitos e acesso à informação.


Embora o uso de tecnologias digitais não seja distribuído de forma democrática no país, a internet pode criar com muito mais recursos, um ambiente acessível para para todos. Apesar de desenvolvimento de muitos aplicativos e tecnologias assistivas, o uso dessas ferramentas não são constantes nos meios de comunicação digital. Porém, ao considerarmos condições equânimes, a internet pode ser a uma importante ferramenta na luta e defesa dos direitos das pessoas com deficiência.


Neste momento em que vivemos uma Era de Fake News, a pandemia da Covid-19 e isolamento social o acesso à informação, é primordial entendermos a necessidade de compartilharmos informações sobre saúde e direitos. Você já pensou quantas pessoas deixaram de receber orientações adequadas sobre o uso das máscaras por não haver descrição de imagem nas propagandas? Já pensou que pessoas podem ter não ter entendido corretamente as orientações de cuidado por não haver nenhum intérprete de libras, legendagem ou audiodescrição nos conteúdos midiátidos? E quantas pessoas poderiam estar vivas se as informações repassadas fossem realmente acessíveis à todas nós?


Pensando nisso, o Coletivo Feminista Helen Keller construiu uma lista com sete dicas para você tornar seu conteúdo digital acessível, confira:

 Descrição de Imagem: Card azul. No alto em amarelo, as hashtags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro azul escuro, escrito em branco: Nem todo surdo utiliza Libras, muitos usam legendas. Para isso, foram criados alguns sites que podem auxiliar na hora de legendar vídeos e até mesmo traduzir o que é falado de maneira remota. Um deles é o webcapitioner.com que transcreve áudios para o português. No canto direito, um quadro preto, escrito em branco: ESCUTA, ESCREVE, DIGITA TUDO QUE OUVE, DIGITA POR RECONHECIMENTO DE VOZ. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.


Descrição de Imagem: Card azul. No alto em amarelo, as hashtags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro rosa escrito em preto: Você pode conhecer e aprender Libras utilizando aplicativos de celular. O ProDeaf é um software de tradução de texto e voz na língua portuguesa para Libras – a Língua Brasileira de Sinais, com o objetivo de realizar a comunicação, à direita o ícone do aplicativo. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.
Descrição de Imagem: Card azul. No alto em amarelo, as hashtags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro laranja escrito em preto: Você conhece a Língua Brasileira de Sinais? A Língua de Sinais que existe no mundo inteiro e é utilizada para a comunicação com surdos. Elas não são universais, são diferentes entre países e entre determinadas regiões de um mesmo país, conforme sua regionalidade.No Brasil, temos a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.


Descrição de Imagem: Card azul. No alto em amarelo, as hashtags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro amarelo escrito em preto: Na audiodescrição o menos é mais. Seja direto e objetivo nas suas descrições. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.

Descrição de Imagem: Card azul. No alto em amarelo, as hashtags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro branco escrito em preto: Pense na descrição usando sempre o movimento de um relógio, de cima para baixo, da esquerda para a direita. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.

Descrição da Imagem:  Card azul. No alto em amarelo, as hashtags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro vermelho escrito em preto: É redundante utilizar a palavra “imagem” na descrição de imagens. Diga se é um card, flyer, foto ou ilustração. Informe se é colorido ou preto e branco. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.

Descrição de Imagem: Card azul. No alto em amarelo, as hastags: #CompartilheInformação #CompartilheSaúde . No centro, um quadro azul claro, escrito em preto: Não use o pronome possessivo SEU ou SUA nas descrições. Eles causam confusão ao ouvinte. No rodapé, logo do Coletivo Feminista Helen Keller e Artigo 19. Fim da descrição.

Além deste material também estamos realizando, em parceria com a Artigo 19, uma série de Webinários em nosso canal do YouTube e na página do Facebook informações com foco nas pessoas com deficiência e Covid19. 

Os webinários fazem parte da campanha #CompartilheInformação #CompartilheSaúde .


Venha fazer parte desta luta conosco!


#CompatilheInformação
#CompatilheSaúde
#CompartilheInformaçãoAcessível
#AcessibilidadeComunicacional


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Dia Internacional em Memória as Vítimas do Holocausto

Você sabia que aproximadamente 300 mil pessoas com deficiência foram assassinadas por uma política de eugenia proposta por Hitler às vésperas do Holocausto?

Em 14 de julho de 1933 foi criada a “lei de prevenção”, o “AktionT4” e o “Programa de Eutanásia”, ações cujo objetivo era eliminar qualquer ser humano que não fosse considerado perfeito para a raça ariana. Muitos alemães não queriam ser lembrados como indivíduos incompatíveis com o conceito de “raça superior” proposto pelos nazistas. As pessoas com deficiência física e mental eram consideradas “inúteis" à sociedade, indignos de viver e uma ameaça à pureza genética ariana.

Baseado em ideais fascistas, o “darwinismo social” era o que dava embasamento para essa implementação. Este conceito que surgiu no Reino Unido, América do Norte e Europa Ocidental em 1870 como uma tentativa de aplicar o darwinismo nas sociedades humanas. Descreve a luta pela existência e sobrevivência dos mais aptos para justificar políticas que não fazem distinção entre aqueles capazes de sustentar a si e aqueles incapazes de se sustentar. Períodos estes, segundo Hitler, eram “os melhores momentos para se eliminar os doentes incuráveis".

O nazismo foi instalado na Alemanha motivado por ideais fascistas de Mussolini, com a diferença de que o nazismo trazia em si a ideia do “racismo científico” e que se utilizava de uma pseudociência para explicar por que a raça ariana era a melhor e deveria ser a única a existir.

Ainda pior, o “Programa de Eutanásia” não teria funcionado sem a cooperação dos médicos alemães, uma vez que eles eram responsáveis por analisar os arquivos dos pacientes nas instituições em que trabalhavam para determinar quais deveriam ser mortos. Eles também supervisionavam as execuções daqueles que poderiam ser cuidados. Os pacientes condenados eram transferidos para seis instituições na Alemanha e na Áustria onde eram mortos em câmaras de gás. Bebês com deficiência  e crianças pequenas também eram assassinados com injeções de doses letais de drogas, por abandono, quando morriam de fome ou por falta de cuidados.

O programa ”Aktion T-4” tornou-se o modelo para o extermínio em massa de judeus, ciganos e outras minorias nos campos equipados com câmaras de gás em 1941 e 1942. Em 1941 se iniciaram alguns protestos públicos, mas a liderança nazista tentou manter o programa em sigilo durante toda a Guerra.

Segundo a antropóloga Adriana Dias pesquisadora com teses sobre nazismo, neonazismo e eugenia, o governo atual brasileiro incentiva células neonazistas, inclusive já existentes em estados como Santa Catarina e São Paulo. O governo atual se utiliza de uma plataforma de propaganda que sustenta a exclusão e desumanização de minorias. Um alarme para um processo de nazificação no Brasil.

Ela ainda afirma que no Brasil, o conceito da eugenia é muito vinculado à pobreza nordestina e à miscigenação. É muito importante as pessoas terem a noção de que as pessoas com deficiência ainda são alvo de um grande projeto de limpeza racial e que não há nenhum espaço para o afeto e diversidade humana. E esse projeto eugênico começa sempre pela institucionalização. A institucionalização é sempre o pior caminho para as pessoas com deficiência, desligando laços familiares e gerando mais risco. De acordo com ela, esta é a importância das escolas inclusivas, pois muitas rompem com o laço da institucionalização.

Por que é importante relembrarmos isso? Porque a sociedade tende a seguir padrões de comportamento e ciclos viciosos antes de uma revolução consciente. E, como mulheres brasileiras feministas e com deficiência, cabe a nós tomar as medidas necessárias para que esse comportamento não se repita. Está na hora de nos posicionarmos, de evitarmos o retrocesso e de combatermos discursos de ódio em memória das vítimas do fascismo e seus discursos autoritários.

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Referencias:
https://www.vice.com/pt_br/article/j5y73y/esse-governo-com-certeza-incentiva-a-existencia-de-celulas-neonazistas)
https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/the-murder-of-the-handicapped

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

NOTA EM DEFESA AOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA - 03 de Dezembro

#Pratodasverem Card com fundo branco com o texto Em defesa dos direitos das pessoas com Deficiência. Destaque amarelo na palavra defesa. No rodapé o texto 03 de dezembro. Dia de levantar a voz e dizer: “NENHUM DIREITO A MENOS!. A direita a marca do coletivo. Fim da descrição.
Este dia 03 de Dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, nos convoca a refletir, com urgência, sobre o que está acontecendo no Brasil! 


Ainda que em 2009 o Brasil tenha ratificado a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência como emenda constitucional, embasando assim a criação da Lei Brasileira de Inclusão – LBI, estamos vivenciando, enquanto pessoas com deficiência, o desmonte e o ataque às garantias de exercício da nossa cidadania. 

A seguridade social (saúde, assistência social e previdência), direito a educação e ao trabalho estão sob forte ataque, ameaçando nossa dignidade e sobrevivência. Ou seja, os retrocessos ultrapassam uma década e ameaçam inclusive os pactos sociais estabelecidos na constituição de 1988. 

Como se não fosse suficiente os duros golpes da Emenda Constitucional 95, da Reforma Trabalhista, Lei de Terceirização e Reforma da Previdência, por exemplo, nos deparamos com ameaças ao próprio entendimento constitucional da deficiência, em nosso acesso ao direito fundamental ao trabalho, à educação e ao acesso universal à saúde (com o Novo Modelo de Financiamento da Atenção Básica). 

Sobre isso, ressaltamos alguns pontos que embasam nossa indignação: 

1) IFBR-M x PROBAD: 
PROBAD: 
- Proposta de instrumento de avaliação de deficiência onde apenas peritos médicos avaliariam a deficiência conforme o diagnóstico do avaliado, não considerando sua funcionalidade (CIF) e os aspectos biopsicossociais do indivíduo
- O que vigora nessa proposta é a antiga compreensão da deficiência como algo definido somente pelo corpo, voltada para a Classificação Internacional de Doenças (CID). 
- Além de elaborado por apenas um segmento profissional, rompe com a obrigação de consultar as pessoas com deficiência na elaboração e implementação de legislação e de políticas públicas (Art. 4º, item 3 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência).
- Ou seja, o Protocolo Brasileiro de Avaliação da Deficiência (PROBAD) é INCONSTITUCIONAL, já que se configura num retorno ao modelo médico de avaliação da deficiência e não teve NENHUMA PARTICIPAÇÃO do movimento de pessoas com deficiência em sua construção.
IFBr-M: 
- A Convenção, seguida pela LBI, ao estipular um caráter biopsicossocial, determinou uma visão sistêmica, transversa e multiprofissional da deficiência, fazendo com que o trato da deficiência envolvesse uma atuação multidisciplinar e não mais específica de uma única categoria. O IFBr contempla esses princípios!
- A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) se torna um referencial mais adequado para atender aos preceitos constitucionais e da LBI. Lembrando que profissionais de saúde e de outras áreas de conhecimento são habilitados e capacitados para avaliar funcionalidade e impedimentos, assim como os fatores do contexto ambiental, social, familiar e pessoal da pessoa com deficiência. 
- O IFBR foi construído a partir de um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) que avaliou os instrumentos utilizados no mundo e sua adequação à situação brasileira. Considerando a inadequação desses instrumentos, o GTI definiu a necessidade de um novo instrumento com diretrizes específicas, entre elas: “a caracterização, classificação e valoração das deficiências não devem se basear unicamente em diagnósticos clínicos de doenças, afecções e lesões traumáticas” e “(...) a valoração da deficiência ou incapacidade dependerá da avaliação global do indivíduo, com base na CIF e na teoria dos apoios”. Em abril de 2016 foi criado o “Comitê do Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência e da Avaliação Unificada da Deficiência”, reformulado em 2017, pelo Decreto 8954. 
- O IFBr já foi validado e tem duas versões:
IFBr-A: versão para a aposentadoria especial da pessoa com deficiência prevista na LC 142/2013 (validado e em pleno uso);
IFBr-M: versão atual construída por representantes de vários Ministérios e representantes da sociedade civil que já foi validado pela Universidade de Brasília e aguarda aprovação do executivo para sua efetivação como instrumento.
- Ou seja, além de ser o único instrumento reconhecido pelo movimento de pessoas com deficiência e corresponder aos preceitos constitucionais, o IFBr-M envolveu investimento humano e de valores, em torno de R$2.000.000, possui validação cientifica e JÁ ESTÁ PRONTO para avaliação da deficiência em nosso país!

2) MEDIDA PROVISÓRIA Nº 905/19:
- Essa MP extingue os Serviços Sociais do INSS como um direto de segurados e população de modo geral, colocando em xeque o modelo biopsicossocial no âmbito da Previdência, BPC e até mesmo no modelo único (IFBr-M), pois impede as contribuições de assistentes sociais na aplicação do instrumento. 
- Cria o Programa de Habilitação e Reabilitação Física e Profissional, Prevenção e Redução de Acidentes de Trabalho e cria um Conselho com a atribuição de estabelecer diretrizes para aplicação dos recursos e implementação do Programa. Essa medida é antidemocrática, já que não envolverá a participação do movimento de pessoas com deficiência, impedindo assim nossa participação nos encaminhamentos desses recursos.

3) PROJETO DE LEI Nº 6159/19:
- Permite à empresa compensar descumprimento de cotas mediante pagamento de valor para um fundo de reabilitação no lugar de empregar um profissional com deficiência, incentivando a visão de incapacidade e acentuando ainda mais a discriminação sobre nossos corpos.
- Exime empresas de prestação de serviços terceirizados e temporários contratadas por órgãos públicos de cumprir a cota.
- OBRIGA as pessoas com deficiência a solicitar a suspensão do BPC para poder requerer o auxílio-inclusão, ou seja, sem ter garantia se o auxílio será concedido ou quando será concedido.
- Passa a computar a vaga de aprendiz na cota de PcD; 
- Revoga dispositivo legal (lei nº 8213/91, art. 93, § 1º) que exige a contratação de outro trabalhador com deficiência ou beneficiário reabilitado da Previdência Social antes da dispensa de um funcionário nesta condição; 
- Exclui da aplicação das cotas os cargos com jornada que não exceda a 26 horas semanais, que são justamente as mais adequadas às PcD; 
- Permite que as pessoas com deficiência com contratos temporários ou contratadas por empresas terceirizada sejam contabilizadas para o cumprimento da cota
- Permite que empresas cumpram a lei comprando a cota excedente de outras empresas, sem necessariamente contratar ninguém.
- Pessoas com deficiência terão seu direito ao trabalho limitado para determinados cargos considerados perigosos ou inapropriados, mesmo que comprovem capacidade para exercer a atividade.
- Pessoas com deficiência grave serão tratadas como profissionais de menor valor e equivalerão a duas contratações para cumprimento da COTA.
- A pessoa com deficiência perde a possibilidade de escolha e participação nas políticas de inclusão profissional e fica refém de regras impostas pelo governo.
- O projeto terá a redução da concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) 
- Estabelece que o pagamento do auxílio-inclusão será efetivado somente quando o governo considerá-lo compatível com as metas de resultados fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias – cujo projeto é elaborado pelo próprio governo.

4) NOVA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL: 
- Retira a obrigatoriedade constitucional das escolas regulares de fornecer educação de qualidade para todos, violando assim o direito de TODAS E TODOS à educação inclusiva. 
- Não houve participação do movimento de pessoas com deficiência na construção e alterações dessa política, demonstrando assim, ao não reconhecer o protagonismo das entidades representativas de pessoas com deficiência, o total desrespeito do governo brasileiro aos princípios da Convenção. 
- Demonstra a forma autoritária que esse governo conduz suas políticas públicas. Por exemplo, em agosto deste ano foi realizada audiência pública na Câmara dos Deputados com a presença exclusiva de representantes do MEC e do CNE, sem a participação de ninguém que pudesse criticar a proposta do governo, em dissonância com o artigo 256, parágrafo 1° do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. 
- Algumas instituições, que atuam como escolas especiais (e são, portanto, diretamente interessadas na violação do direito à educação inclusiva) chancelam a proposta do governo, com vistas a obter lucros com a segregação de estudantes com deficiência. 
- Reforçamos que a educação inclusiva é um direito humano, consagrado na Convenção Internacional dos Direitos de Pessoas com Deficiência, a qual tem status constitucional no Brasil. Não se pode retroceder em matéria de direitos humanos!

O Coletivo Feminista Helen Keller não compactua com a barbárie, onde pessoas que, por não terem condições de estarem no mercado de trabalho ou por serem impedidas de acessá-lo, são responsabilizadas por uma crise econômica forjada, onde a riqueza segue sendo multiplicado para poucos e a miséria compartilhada para muitos. 

Frisamos novamente que saúde, educação e trabalho são direitos constitucionais e, justamente por isso, o ataque a garantia desses direitos nos faz questionar se de fato vivemos em uma democracia. Não compactuamos com a política de morte defendida e estimulada por esse governo.

Defendemos a avaliação biopsicossocial da deficiência, o financiamento adequado do SUS, a manutenção da lei de cotas, a educação inclusiva e a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática: Não baixaremos a guarda. 

NENHUM DIREITO A MENOS! Nada sobre nós sem nós! #EmDefesaDosDireitosDasPcD

Saiba mais em: 







sexta-feira, 29 de novembro de 2019

NÃO AO PROJETO DE LEI 6159/19, NÃO AO DESMONTE DE DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA!

#ParaTodasVerem Descrição de Imagem: Fotografia colorida. Sobre fundo branco, duas mãos rasgam uma carteira de trabalho. Fim da descrição.

‼️ Atenção‼️
CAROS AMIGOS DO MOVIMENTO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA,
Estamos em estado de alerta!!
Foi apresentado um projeto na Câmara dos Deputados de n. 6159/19, que prejudica enormemente as pessoas com deficiência:
- viola a Convenção da ONU, pois apresenta ao congresso nacional projeto que alterará significativa e negativamente a vida das pessoas com deficiência, sem que suas instituições tenham sido chamadas a participar da sua elaboração, em completa afronta ao lema NADA SOBRE NÓS SEM NÓS!!
- prepara a imposição de que todas as pessoas com deficiência,mesmo as que ainda não tenham condições para tanto, sejam obrigadas a se habilitarem ou reabilitarem,para que no final fiquem sem seus benefícios, caso não consigam trabalhar ou manter seus empregos;
- destrói a cota de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, criando excludentes que dificultam ao MPT e aos Auditores Fiscais fazer as fiscalizações;
- Excluirão todas as vagas existentes nas empresas de prestação de serviços terceirizados e temporários que prestam serviços aos órgãos públicos de cumprir a cota, o que retirará inúmeras vagas de emprego das pessoas com deficiência e reabilitados;
- regulamenta as condições do auxílio-inclusão, frustrando os objetivos da LBI quanto a esse benefício, pois impõe várias condições para que a pessoa com deficiência venha a consegui-lo, condições essas que devem ser comprovadas cumulativamente;
- Obriga as pessoas com deficiência a requererem a suspensão do pagamento do BPC antes de requerer o auxílio-inclusão, sem mesmo saber se será ou não concedido este último benefício;
- estabelece, ao contrário da posição do movimento, que a cota de aprendiz seja computada também para a cota de PCD, diminuindo mais uma vaga no mercado;
- excluiu o direito das pessoas com deficiência de manter o BPC com o salário de aprendiz, até o limite de dois anos, até que tenham certeza de que consigam manter o emprego;
- estabelece que novos critérios de manutenção e revisão do auxílio-inclusão sejam realizados através de ato do poder executivo, violando o que a LBI prevê;
- mesmo criando o benefício do auxílio-inclusão, estabelece que ele somente será pago em determinadas condições orçamentários, o que frustra totalmente a garantia de pagamento;
- Todos os empregados que estiverem em gozo de benefício por incapacidade temporária para o trabalho, mesmo que insuscetível para sua atividade habitual, deverão se submeter ao processo de reabilitação profissional para o exercício de outra atividade que não seja a sua, mesmo que venha a ganhar salários bem inferiores que o do seu cargo/função, sendo um completo desrespeito à condição da pessoa que está doente e incapacitada;
- o beneficiário de qualquer benefício da previdência terá a obrigação de acatar o direcionamento da reabilitação sob pena de perder o benefício;
- impede a aplicação da cota nas atividades que tenham jornada menor que 26 horas, jornadas essas que são ideais para as pessoas com deficiência;
- revogou o artigo que obriga as empresas a despedirem as pessoas com deficiência quando atingirem a sua cota, mais uma vez esvaziando a cota do art. 93 da Lei 8.213/91;
- permite que uma empresa troque a contratação de pessoas com deficiência pelo pagamento de uma multa equivalente a dois salários mínimos, durante três meses, multa essa que será dirigida ao Programa de Habilitação e Reabilitação Física e Profissional;
- permite também que a empresa cumpra sua cota em empresa diversa.
Repassem essa mensagem, precisamos nos mobilizar com muita rapidez!

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Educação Inclusiva

#ParaTodasVerem Descrição de imagem: Card colorido. Sobre fundo azul marinho, a ilustração de balões coloridos, dentro deles o desenho de computador, células de DNA, régua, cubo, letras e a conta 2+2. Abaixo, cinco lápis das cores, cinza, roxo, amarelo, azul e rosa. Fim da descrição.

“De acordo com o Censo 2010, em que era medido o “grau de dificuldade em domínios funcionais centrais para participação na vida em sociedade”: Mais de 45 milhões de brasileiros são classificados como pessoas com deficiência. Desses, cerca de 3,5 milhões são crianças de até 14 anos de idade”.
O trecho acima integra a pesquisa do Datafolha que o Instituto Alana encomendou com o objetivo de compreender as percepções da população brasileira sobre a educação inclusiva (https://drive.google.com/file/d/1IZVUxCNQyAJ3xeGe7Pl-s1upW7Lw2XBm/view?usp=sharing)
Sabemos que o espaço escolar é uma ferramenta fundamental para o ensino da cidadania, do viver em sociedade e em sua diversidade. E esse espaço é direito de toda criança com e sem deficiência.

Para além de escolas bem equipadas e com rampas, é notável a necessidade de compreendermos essa palavra já tão desgastada: Inclusão.
Diferente da segregação, que nos separa e classifica, a inclusão exige de todes uma nova forma de pensamento, exige quebras de padrões estruturais que buscam a padronização da aprendizagem e conhecimento. 
-Por qual razão, ainda é preciso defender um espaço e formato de educação inclusiva?
-Pode haver alguma receita pronta para lidar com pessoas? 
Aqui, buscamos trazer uma reflexão sobre nossa educação atual, seja em campo escolar, seja em uma educação para a vida.
A educação, enquanto direito e não um bem de consumo, nunca é e nunca será um local de conforto, mas sim um lugar de criação, lugar para habitarmos espaços diversos, e talvez antes nunca habitados... E talvez por isso tão temida em tempos onde direitos básicos são duramente ameaçados.
-Você professor, educador, responsável, já parou para pensar de onde vem esse medo de não estar preparado para estar em aula com uma pessoa/criança com deficiência?
Se já, pode então imaginar o quanto é necessário não darmos um passo sequer para trás na educação inclusiva. E mais, já pôde perceber o quanto a convivência, o encontro, desde cedo com a diversidade pode auxiliar na melhoria de toda nossa formação como indivíduos críticos e no exercício da cidadania.  “Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos” (Paulo Freire).

- Você, que assistiu discursos sobre o quanto pessoas com deficiência teriam espaço nesse atual governo, não acha contraditório que justamente a educação inclusiva esteja sob ameaça por ele e por seus aliados?

Deixamos aqui um trecho de “Inclusão escolar, o que é? Por quê? Como fazer?“ de Maria Tereza Mantoán (2003),  para que a conversa e reflexão sobre educação e inclusão  possa seguir:
“Temos, sim, a capacidade silenciosa e decisiva de enfrentar o dia-a-dia das imposições e de toda regulamentação e controle que nos aprisionam e descaracterizam nossa maneira de ser e de fazer frente às nossas tarefas e responsabilidades. Mas precisamos identificar e tirar proveito dessa possibilidade. Conhecemos os argumentos pelos quais a escola tradicional resiste à inclusão — eles refletem a sua incapacidade de atuar diante da complexidade, da diversidade, da variedade, do que é real nos seres e nos grupos humanos. Os alunos não são virtuais, objetos categorizáveis — eles existem de fato, são pessoas que provêm de contextos culturais os mais variados, representam diferentes segmentos sociais, produzem e ampliam conhecimentos e têm desejos, aspirações, valores, sentimentos e costumes com os quais se identificam. Em resumo: esses grupos de pessoas não são criações da nossa razão, mas existem em lugares e tempos não ficcionais, evoluem, são compostos de seres vivos, encarnados! O aluno abstrato justifica a maneira excludente de a escola tratar as diferenças. Assim é que se estabelecem as categorias de alunos: deficientes, carentes, comportados, inteligentes, hiperativos, agressivos e tantos mais. Por essa classificação é que se perpetuam as injustiças na escola. Por detrás dela é que a escola se protege do aluno, na sua singularidade. Tal especificação reforça a necessidade de se criarem modalidades de ensino, de espaços e de programas segregados, para que alguns alunos possam aprender. Sem dúvida, é mais fácil gerenciar as diferenças formando classes especiais de objetos, de seres vivos, acontecimentos, fenômenos, pessoas... Mas como não há mal que sempre dure, o desafio da inclusão está desestabilizando as cabeças dos que sempre defenderam a seleção, a dicotomização do ensino nas modalidades especial e regular, as especializações e os especialistas, o poder das avaliações e da visão clínica do ensino e da aprendizagem. E como não há bem que sempre “ature”, está sendo difícil manter resguardados e imunes às mudanças todos aqueles que colocam exclusivamente nos ombros dos alunos a incapacidade de aprender.”

Nosso lugar é e precisa ser na ESCOLA! Afinal, "se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” (Paulo Freire)

Não aceitamos mais cantos, segregação e silenciamento, pois somos parte da necessária mudança!

Baixe esse texto em PDF AQUI!!!


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Nossa vida vale a pena sim! Por que o setembro amarelo não envolve as pessoas com deficiência?



ATENÇÃO: se você estiver passando por um momento de sofrimento emocional, recomendamos que não leia este texto agora, se você fizer muita questão de ler este texto, convide alguém de confiança para ler com você.
           
            O mês de setembro é recheado de palestras motivacionais, posts lembrando o valor da vida, lives de profissionais de saúde mental informando sobre os transtornos psicológicos e meios para buscar ajuda... Muitas vezes, tudo isso acontece desobedecendo as recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre o modo como o suicídio deve ser tratado, o que pode produzir um efeito prejudicial, contrário ao que se espera (iatrogênico)
O Coletivo Feminista Helen Keller reconhece a importância da campanha Setembro Amarelo, mas é preciso apontar uma coisa: o Setembro Amarelo chegou ao fim e pouco (ou quase nada) se falou sobre as pessoas com deficiência. Algumas perguntas que nos fizemos foram:
·         Por que o debate sobre suicídio e deficiência permaneceu invisibilizado?
·         O suicídio assistido (eutanásia) causa a mesma comoção que o suicídio comum?
·         Quando um (uma) jovem com deficiência tira a própria vida, a sociedade apresenta o mesmo nível de inconformidade que demonstra quando um (uma) jovem sem deficiência o faz?
            Quando o seriado “13 ReasonsWhy” veio ao ar, há aproximadamente três anos, muitas foram as críticas direcionadas a ele, a maioria com razão, entretanto, há aproximadamente quatro anos, quando o filme “Como eu era antes de você” (coincidentemente exibido na Tela Quente da Rede Globo na segunda 30/09/19) lotou as salas de cinema ao invés de críticas, ele provocou emoção e compreensão.
            A compreensão e aceitação da morte, por suicídio ou não, estão relacionadas a identificação dos “motivos” da morte natural ou autoprovocada. Por exemplo, quando alguém jovem morre por acidente, as pessoas apresentam maior dificuldade de aceitação que quando uma pessoa morre após algum período de internação médica. Neste último caso, é comum ouvir as seguintes frases “Fulano (a) descansou!”, “o sofrimento de Fulano (a) acabou!”.
            Tais frases produzem uma associação entre morte e alívio de sofrimento, sem garantia de ser uma associação verdadeira, mas que pode levar uma pessoa que esteja passando por um momento de intenso sofrimento a acreditar que se ela morrer seu sofrimento terá fim.
            Paralelamente à associação entre morte e alívio de sofrimento, é comum a associação entre deficiência e sofrimento, a qual negligencia que o sofrimento experienciado pela pessoa com deficiência é resultado da relação entre um corpo com impedimentos e uma estrutura física e social opressora, ao invés de ser inerente ou intrínseco à deficiência. Deste modo, a maior aceitação de suicídio entre pessoas com deficiência deveria ser substituída por esforços de eliminação de barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais, pois é a eliminação de barreiras e o estabelecimento de políticas públicas que garantam inclusão integral e radical o que diminuirá o sofrimento das pessoas com deficiência. A escolha da eutanásia está mais relacionada à falta de assistência adequada do que à dor física, o que fortalece a tese da origem social do sofrimento das pessoas com deficiência.
            Já foi reconhecido que a prevenção do suicídio perpassa, além das intervenções a nível individual, pela desconstrução do machismo e da LGBTfobia. Nós, do Coletivo Feminista Helen Keller reivindicamos que o combate ao capacitismo seja acrescentado nas estratégias de prevenção ao suicídio. Denunciamos que os cortes de verba da saúde pública e o projeto de lei 3803/2019, que representa um retrocesso à educação inclusiva, fortalece o imaginário social de que nossas vidas valem menos ou nada valem.

ATENÇÃO: se você estiver vivenciando um desconforto emocional após a leitura deste texto, recomendamos que ligue para o Centro de Valorização da Vida, número 188, a ligação é gratuita e sigilosa.

Referências:
Hayes, S. C. (1992). Verbal relations, time, and suicide. In S. C. Haves& L. J. Hayes (Eds.),Understanding verbal relations (pp. 109- 118). Reno, NV: Context Press.
Crow, L. (1992). Includingallour lives: renewingthe social modelofdisability. Coalition News.
World Health Organization (2014). Preventing suicide: a global imperative. Geneva:WHO.

sábado, 21 de setembro de 2019

Seu feminismo reconhece as mulheres com deficiência?




#PraTodasVerem Sobre fundo preto e o símbolo do feminino em cinza escuro, em amarelo, está escrito “Seu feminismo reconhece as mulheres com deficiência?”. Na parte inferior da imagem, centralizado, está o logotipo do Coletivo Feminista Helen Keller em amarelo. Fim da descrição.
 

O feminismo foi um importante aliado para o entendimento da deficiência, principalmente, por trazer a perspectiva do cuidado como pauta política. Mesmo que essa discussão tenha se pautado nas mulheres que exerciam o papel de cuidadoras, foi possível estabelecer o entendimento do cuidado como direito, algo essencial para a compreensão da autonomia da pessoa com deficiência.
Ainda hoje o lugar da mulher no debate sobre deficiência é o de cuidadora, centralizando a discussão nas mulheres que, devido à desvalorização/negação econômica da reprodução social, abdicam de seu desenvolvimento pessoal e profissional em prol de seus filhos. Reconhecemos isso, mas o debate precisa ser expandido.
Pessoas com deficiência são pessoas e, por isso, também se constituem a partir de marcadores sociais como gênero, raça, idade e sexualidade. Não somos apenas “filhos”, socialmente objetificados, também somos mulheres.
Estimativas apontam que de 40% a 68% das mulheres com deficiência irão sofrer violência sexual antes dos 18 anos de idade (UNFPA, 2018). De acordo com o Atlas da Violência (2018), cerca de 10% das vítimas de estupro possuíam alguma deficiência e, além disso, 12,2% do total de casos de estupros coletivos foram contra vítimas com deficiência. Além de pautar essa realidade, precisamos romper com a individualização dessas violências. E a perspectiva feminista é fundamental para isso.
Com base nesse entendimento, em 21 de setembro de 2018 foi iniciado o Coletivo Feminista Helen Keller de Mulheres com Deficiência. A data foi escolhida por ser o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, data que surgiu por iniciativa do movimento de pessoas com deficiência e, pela proximidade com a primavera, simboliza a renovação. Um dos grandes responsáveis pela data de resistência foi Cândido Pinto de Melo, militante na luta pela democracia e pela inclusão das pessoas com deficiência. Cândido sofreu um atentado que o tornou paraplégico em 1969, enquanto presidia a União Estadual dos Estudantes de Pernambuco (UEP). A resistência à ditadura militar, que o levou a vivenciar a deficiência, também lhe ensinou sobre a importância da luta organizada, a busca pela inclusão e participação plena na sociedade.
Esse simbólico 21 de setembro demarca nosso compromisso em defesa da democracia, que tarda a chegar a todas nós, e o enfrentamento ao silenciamento imposto às mulheres com deficiência, onde pautas importantes, como garantia de direitos sexuais, direitos reprodutivos e uma vida livre de violências, sempre foram deixados para depois.
Se nós, mulheres com deficiência, representamos ¼ das mulheres brasileiras, por que permanecemos invisibilizadas dentro do próprio movimento feminista? Se as mulheres com deficiência são a maioria da população com deficiência, por que os homens monopolizam microfones e espaços no movimento?
Ao considerarmos que, de acordo com o IBGE (2010), 56,57% da população com deficiência é composta por mulheres; 49,7% das pessoas com deficiência se encontram na Região Nordeste (26,3%) e Norte (23,4%), regiões economicamente mais pobres do Brasil, e 30,9% das mulheres negras são mulheres com deficiência, entenderemos a relação direta entre gênero, raça, classe e deficiência.
É fundamental compreender que se morre por ser mulher e se vivencia a deficiência pelo mesmo motivo, já que a deficiência possui relação com abortos precários, violência obstétrica, violência doméstica, trabalhos precarizados e a negação de direitos fundamentais como alimentação e saneamento básico. Sendo assim, precisamos saber de quem são esses corpos e o impacto do sistema capitalista sobre eles. A consciência de nossa subalternidade como resultado direto da lógica de mercado nos leva à luta anticapitalista, pois não há igualdade possível enquanto não houver a ruptura com um sistema sustentado no patriarcado, no capacitismo, no racismo e nas demais opressões. Ao sermos entendidas como não rentáveis/exploráveis, a negação a nossa existência, enquanto mulheres com deficiência, segue aceitável, inclusive aos progressistas.
Deficiência não é apenas a presença de uma lesão, doença ou alterações genéticas, mas o resultado dessas condições individuais em interação com as barreiras construídas e impostas socialmente. Não somos objetos. Nossa existência não pode seguir sendo pautada por dualismos perversos, que nos dividem em estorvo ou inspiração, pecadores ou anjos. Muito menos seguirmos com nossos discursos validados apenas pela lógica de superação, onde falamos sobre o quanto nossas vidas são horríveis para que vocês se sintam melhores.
Deficiência virou negócio não apenas para poucas pessoas com deficiência que vendem esse discurso, mas principalmente para religiosos que vendem nossa cura, profissionais de inclusão que, por não terem deficiência, transitam em qualquer espaço com seus discursos poéticos de uma sociedade inclusiva, mas também para políticos que descobriram no velho discurso de caridade a forma de “esconder” seus discursos de ódio. E sobre isso, a esse governo e aos demais neoliberais, reforçamos que a “meritocracia” abre um tsunami para a perpetuação da miséria das pessoas com deficiência, sobretudo a nós, mulheres. E saibam, nenhum discurso em libras é capaz de anular a nossa condenação a perda de direitos. Saibam que o exercício da nossa cidadania, assim como o de outros grupos, não é negociável.
Não podemos aparecer na pauta de defensores de direitos humanos apenas em resposta a discursos vazios, carregados de lágrimas e confetes, de primeiras damas.
Qual legitimidade teria um evento sobre feminismo sem a participação de mulheres? Qual a legitimidade de um evento que discute o orgulho negro sem o protagonismo de mulheres e homens negros? Já imaginou um evento sobre pessoas LGBTQI+ sem pessoas LGBTQI+? Por que ainda hoje, quando a deficiência é lembrada, nosso protagonismo é entendido como menos importante ou, até mesmo, dispensável? Deficiência não é tragédia individual, é construção social e escolha política.
Nesse 01 ano de existência passamos a ocupar espaços importantes em nível nacional, como a Rede-In (Rede Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência) e a 1ª Frente Parlamentar Feminista e Antirracista com Participação Popular da América Latina. Além disso, já participamos da celebração da Visibilidade Lésbica na Casa ONU, do I Seminário Internacional de Saúde Sexual Reprodutiva, HIV e Pessoas com Deficiência, organizado pela UNFPA, 16ª Conferencia Nacional de Saúde e do 8º Encontro Nacional das Cidadãs Posithivas. Falamos ao plenário do Conselho Nacional de Saúde sobre a Saúde da Mulher com Deficiência e falamos aos Estudantes NINJA sobre nossa presença nas universidades. Somos mais de 30 mulheres com deficiência espalhadas pelas 05 regiões do país. Estamos nos fortalecendo, mas muito ainda precisa ser dito e, principalmente, compreendido! Entre nossas pautas, entendendo que a acessibilidade é transversal a todas elas, está a participação política das mulheres com deficiência, acesso a saúde, educação, segurança pública, trabalho e autonomia econômica.
Reforçamos aqui que a ausência de acessibilidade é o ápice da manifestação do capacitismo, que é a idéia de que pessoas sem deficiência são superiores às pessoas com deficiência, em qualquer aspecto, e reforçamos que a construção de barreiras a nossa participação, ao longo da história, vêm sendo uma forma de nos manterem distantes dos espaços de decisão. Partindo disso, acessibilidade não pode seguir como algo facultativo, mas sim como um direito humano e um instrumento indispensável e inegociável não apenas a nós, mulheres com deficiência, mas a todas e todos que não admitem esse apartheid velado (ou seria escancarado?) imposto aos nossos corpos.
Nossas questões, enquanto mulheres com deficiência, não são separadas das lutas feministas, por isso reiteramos a necessidade de compreendê-la como um marcador que nos submete a discriminações e negação de direitos.
Já nos reconhecemos como mulheres LBTIs, negras, indígenas e brancas, vivendo com HIV, urbanas, do campo, em situação de rua... Agora precisamos ser reconhecidas também nessas lutas!
ESTAMOS JUNTAS?